Um novo vício entre os adolescentes: Conheça-o e proteja seu filho

Há um novo vício entre os adolescentes. A maneira de vencê-lo é através dos pais, mais do que dos jovens. Não deixe que seu filho afunde. Leia e aja a tempo.

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  • Gabriel tem treze anos e não se sente feliz, em suas próprias palavras: "Este mundo é uma porcaria e nada me faz feliz". Ele passa horas ponderando qualquer problema, não importa o quão pequeno seja. Ele perdeu seu senso de humor, ele vive amargurado e se irrita com tudo. É muito autoexigente o tempo todo.

  • Se ele falha em algo, ele não se perdoa, e cada frustração é uma fonte inesgotável de estresse. Ele se paralisa diante de qualquer problema. Não tem forças para estudar. Vive sem esperança, nada o satisfaz e não tem nenhum tipo de meta. Vive em uma constante tensão e com múltiplas contrações musculares.

  • Tem uma baixa tolerância à frustração e, se algo o frustra, se sente triste o dia todo. Sua vida se tornou como um velho tango, onde o tempo passado foi melhor e viver o presente é uma agonia. Vive conectado, o celular tornou-se um membro de seu corpo e seu mundo deixou de ser real para tornar-se virtual.

  • Sim, Gabriel está desmotivado. Nele, assim como em muitos outros adolescentes, a desmotivação se tornou um vício, porque suas famílias, para não vê-los dessa maneira, optam por dar-lhes o que pedem para vê-los menos tristes ou mais motivados. O problema é que isso não soluciona as coisas de verdade e por isso, a longo prazo, eles voltam a ficar desmotivados e assim o ciclo continua. O que acontece?

  • Estes adolescentes têm algumas características em comum: não têm regras, não têm limites claros, não têm responsabilidades e passam muito tempo sozinhos, eles têm de tudo. Se você reconhece seu filho em Gabriel, por favor continue lendo, a seguir lhe darei alguns conselhos para aplicar em seu relacionamento com seu filho adolescente.

  • 1. Abra o diálogo

  • O que falta para Gabriel e tantos adolescentes é conhecer sua motivação, que é o que os torna felizes e não se limitam a ver a vida passar pela porta do seu quarto. É muito importante que seu filho tenha a necessidade de se sentir satisfeito consigo mesmo, só dessa forma a motivação irá levá-lo a algo, seja na aprendizagem, no trabalho, nos vínculos. Para conseguir isso, crie um ambiente de confiança onde ele possa expressar sem medos o seus sentimentos e emoções. Não se apresse a dizer que "estas ideias são loucas". Ouça com empatia e sem preconceitos.

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  • 2. "Você sabe onde você gostaria de se ver daqui alguns anos?"

  • Esta pergunta anima à reflexão, não limite suas respostas, nem restrinja sua forma de se expressar, permita que o seu filho expresse o que ele tem dentro de seu coração e lhe conte o que o faz feliz. Anime-o a estabelecer metas para alcançar aquilo. Inclusive quando seu filho tiver um sonho que para você não é viável, não o desmotive, nem desanime, o importante é que há algo pelo qual ele é apaixonado.

  • 3. "Por que você quer isso que você quer?"

  • A motivação não pode ser imposta, mas ela pode ser descoberta. Talvez seu filho não tenha muito claro o que ele quer daqui a alguns anos em sua vida, mas tenho certeza de que diante da pergunta "Por que você quer isso?" em sua resposta ele irá demonstrar o que ele precisa para ser feliz: "Para ajudar aos outros", demonstra muito de si e o que dá significado a sua vida.

  • 4. Organize o uso do tempo e os intervalos

  • Na adolescência é fundamental ter tempo para socializar, se divertir e relaxar, mas é importante que as permissões para sair de casa, as horas em frente à TV, videogames, celular e tablet sejam administrados. Em regra geral, não deve exceder duas horas por dia. Similarmente estabeleça regras para as horas de passeios durante os dias de aulas. Muitas vezes a desmotivação surge por ter muito tempo livre.

  • 5. Cumpra com as consequências

  • Ao invés de falar de "castigos", diga que por não cumprir com as regras do lar, ou com suas rotinas diárias, haverá consequências por isso: se ele não tiver estudado de manhã, deverá fazê-lo assim que terminar de almoçar, não importa se nesse mesmo horário passa o seu programa favorito e é o último episódio; se não tiver arrumado seu quarto na quinta, ele deverá fazê-lo antes que seus amigos cheguem no final de semana, mesmo que isso diminua suas horas para diversão. Este tipo de ações gera em seu filho o desejo de cumprir com suas obrigações diárias.

  • 6. Demonstre interesse em sua vida

  • Dificilmente seu filho se sentirá motivado se você não estiver presente em sua vida. Esteja diariamente envolvido(a) em suas coisas, seus estudos, novas amizades, lugares onde ele foi e mesmo que você esteja cansado, procure um tempo para estar a sós com ele e fazer algo juntos.

  • A desmotivação pode afundar o seu filho se você não intervir a tempo. Deixe que o seu amor por seu filho e sua vontade de ajudá-lo sejam a força que lhe dá vontade de dar sentido a sua vida.

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Marta Martínez é do Uruguai. Ela é formada em psicologia e tem pós-graduação em logoterapia. Ela ama o que faz e adora servir ao próximo.

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