Uma casa doente pode adoecer os moradores: veja como proteger sua família

Rinite, sinusite, e outros problemas respiratórios podem ser causados pelo ambiente doméstico. Previna-se!

Stael Ferreira Pedrosa

As crises recorrentes de rinite, sinusite ou asma podem ter sua razão – e geralmente têm – no ambiente doméstico. A história é sempre a mesma: nariz entupido pela manhã, espirros, coriza, coceira nos olhos, no nariz, no céu da boca, nos ouvidos ou mesmo na pele. O seu banheiro já está repleto de descongestionantes, corticoides, antialérgicos, e as crises sempre voltam.

Não vai resolver muito tratar os sintomas, se a causa é justamente o ambiente em que se vive. O mofo, a poeira doméstica, presença de animais, a estrutura e projeto da casa ou apartamento, a idade da casa (é ainda pior nas casas velhas), etc., são fatores a serem levados em conta quando os moradores estão sempre doentes. E nem sempre esses problemas estão ligados à limpeza do ambiente. Mesmo em casas que se limpa todos os dias, os problemas podem continuar.

Guilherme Zuccolotto, de 28 anos, morador de um apartamento na zona sul de São Paulo há 15 anos, nunca havia percebido a relação entre sua rinite alérgica e seu ambiente doméstico. Só após um intercâmbio nos Estados Unidos, em 2015, foi que a “ficha caiu”, pois segundo Guilherme, no ano em que esteve fora, suas crises melhoraram muito.

O que desencadeia as crises?

Geralmente o gatilho são o mofo e a poeira doméstica. Ao contato com esses alergênicos, o organismo produz mais anticorpos que intensificarão os sintomas. No caso de Guilherme, havia um problema no planejamento dos banheiros do imóvel, pois ambas são voltadas para uma área de serviço, mantendo o vapor do banho preso dentro do apartamento umidificando e criando um ambiente propício ao mofo. No caso, a instalação de um desumidificador de ambiente ou um exaustor resolveria o problema, segundo Leonardo Cozac, engenheiro especializado em qualidade do ar interno.

Outro problema é a iluminação solar no ambiente. Quando é pouca ou nenhuma, isso favorece a proliferação dos alérgenos como os fungos e ácaros que podem causar até mesmo problemas pulmonares graves.

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Cuidados com o ambiente doméstico

Além da limpeza, há que se tomar alguns cuidados como, por exemplo, permitir a entrada de luz solar em todos os cômodos da casa, verificar-se se há vazamentos, infiltrações e se os ambientes recebem ventilação.

Segundo o Dr. Drauzio Varela, a limpeza é importante, pois o ácaro – principal agente causador de alergias, “se alimenta de resíduos da descamação da pele e prolifera na poeira doméstica, especialmente nos lençóis e travesseiros, tapetes, carpetes, cortinas e bichos de pelúcia. Por isso, o ambiente onde a pessoa alérgica vive deve ser bem-ventilado, ensolarado e cuidadosamente limpo”.

Não resolve aspirar os pelos dos animais, a reação alérgica é desencadeada por substâncias presentes na saliva, urina e, especialmente, fragmentos da pele dos animais.

Manter o ar circulando também é importante para evitar concentração de compostos orgânicos voláteis que podem ser emitidos por colas, tintas, vernizes e móveis. Alguns são tóxicos e considerados cancerígenos. Além disso, ajuda a tornar menos agressivos os produtos de limpeza, inseticidas e outros produtos com cheiro forte.

Janelas abertas mesmo em cidades poluídas

Para o biólogo Allan Lopes, mesmo em cidades poluídas, as janelas devem ficar abertas. “Com a casa sempre fechada, o ar interno pode ficar mais poluído do que o externo”.

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Apenas evite ventilar a casa no horário de maior tráfego de veículos.

O Dr. Drauzio Varela dá outros conselhos úteis:

  • Use pano úmido e aspirador na limpeza do chão e dos móveis.

  • Use máscaras ao fazer a faxina dos armários e estantes de livros.

  • Mantenha os ambientes arejados e expostos ao sol durante a maior parte do tempo.

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  • Dispense o uso de cortinas, carpetes, tapetes, almofadas ou de outros objetos que possam acumular poeira difícil de remover.

  • Lave as roupas de cama pelo menos uma vez por semana e as roupas guardadas há algum tempo antes de usá-las novamente.

  • Procure acostumar seus animais de estimação a viver fora de casa. Não os deixe subir nos estofados nem nas camas onde as pessoas dormem.

  • Tome bastante água, especialmente se você passa muitas horas em locais com ar-condicionado.

  • Não se automedique, nem siga as sugestões de curiosos. Ouça o que um médico especialista no assunto tem a dizer.

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Stael Ferreira Pedrosa

Stael Ferreira Pedrosa é pedagoga, escritora free-lancer, tradutora, desenhista e artesã, ama literatura clássica brasileira e filmes de ficção científica. É mãe de dois filhos que ela considera serem a sua vida.