Como aprender a amar depois de sofrer violência doméstica

Aprender a perdoar e voltar a amar após sofrer violência no lar, é possível e ajuda no processo de cura.

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  • Não há nada mais devastador que a violência dentro das paredes do próprio lar; seja entre os cônjuges ou outros familiares, a violência é a linguagem do fraco e deplorável em todas as suas formas.

  • Sofrer violência daqueles que deveriam nos amar e proteger pode deixar sequelas permanentes no corpo e na alma.

  • Infelizmente esses lamentáveis episódios são um problema mundial, sem considerar nível econômico, cultural, religioso ou status social. As vítimas devem saber que o silêncio é certamente a pior forma de lidar com a agressão no lar. Muitas pessoas não falam por medo, culpa, vergonha ou por achar que ninguém irá se importar. No entanto, olhares atentos de familiares e amigos podem ajudar nesse silencioso desespero.

  • Violência contra crianças e adolescentes

  • Os pais podem pensar que uma palmada ou um grito não é violência. Creio que essa questão nunca chegará a um consenso. Estudos indicam que a palmada não educa, conforme artigo dos pesquisadores canadenses Joan Durrant e Ron Ensom sobre castigos físicos baseado em pesquisas realizadas nos últimos 20 anos. (Punição física de Crianças, a lição de 20 anos de pesquisa) entre outros.

  • Uma criança que não faz algo porque apanhou é uma criança com medo e não disciplinada.

  • A dor não é uma forma de ensinar alguém a comportar-se de maneira adequada. Dor física e humilhação não farão de seu filho um ser humano melhor. Há sérios indícios de que isso somente afasta a criança de seus pais emocional e psicologicamente. Impor limites, ensinar pelo exemplo, conversar sobre os problemas, traçar metas de melhora de comportamento exige mais trabalho, empenho e uma melhor atitude dos pais, o que os desencoraja e faz com que prefiram a saída rápida pela "palmada educativa".

  • A violência entre os cônjuges

  • A violência pode ser psicológica ou física, ambas extremamente prejudicais, apesar de a psicológica por vezes ser ainda pior. Caracteriza-se por rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. Trata-se de uma agressão que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes indeléveis para toda a vida.

  • O que deve fazer uma vítima de violência?

  • Romper o silêncio é o primeiro passo, tendo em mente que a culpa pela atitude do agressor não é sua. O mau trato deve, tanto quanto possível, ser de conhecimento de familiares, vizinhos e pessoas amigas. Não apenas para assistência em caso de necessidade como também para servirem de testemunhas em caso de levar-se à justiça o abuso. O acompanhamento médico e psicológico, bem como o distanciamento do agressor, deve ser considerado imediatamente ainda que não haja marcas visíveis de violência.

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  • Medidas judiciais devem ser tomadas. Se sentir que sua integridade física ou de sua criança, pode estar ameaçada pela denúncia, peça proteção policial e saia de casa.

  • Após essas questões práticas, deve-se buscar ajuda psicológica para a vítima que deve ser amparada, consolada, fortalecida ao iniciar o processo da mudança interior e o resgate de si mesma. A fé pessoal deve ser utilizada nesse processo.

  • A cura pelo perdão

  • Ainda que a violência doméstica e os abusos sejam um mal, cujas marcas podem permanecer por toda a vida, a vítima pode encontrar conforto e grande parte da cura através do perdão. Perdoar o agressor pode ser difícil e demorar toda uma vida. Não se force a perdoar. Espere, cuide-se, volte a amar-se primeiro e procure viver a vida da melhor forma possível. Para perdoar precisamos estar desconectados, ao menos em parte, da grande carga de emoção negativa que acompanha a lembrança do sofrimento. Não deixe a esperança morrer e nem suas metas e sonhos. Deixe que o tempo amenize o sofrimento e as marcas no corpo e na alma. Então, busque sim a paz interna que advém do perdão sincero.

  • O que fazer para perdoar o agressor?

  • Tenha em mente que perdoar não significa ter uma atitude apática para com os erros alheios ou aceitar tudo o que os outros nos fazem de forma passiva e condescendente. Esses são conceitos errados que acabam por dificultar o perdão.

  • O perdão é uma forma de enxergar o outro compreendendo que todos erram. Uns mais outros menos, mas ninguém é perfeito. Tentar compreender, por mais absurdo que pareça, que aquela pessoa fez o que achava ser certo naquele momento, com o conhecimento que tinha. (Todo agressor acha que está fazendo a coisa certa, ensinando ou corrigindo.) E acima de tudo que o perdão não beneficiará o outro, mas ao que perdoa. Traz alívio, esperança e renova nossa capacidade de amar novamente.

  • Perdoar é sinônimo de amar

  • Embora você não tenha um único motivo sequer para amar o que o outro fez, ainda assim pode aprender a amar como Deus ama, ou seja, amar o próximo, independente de seus atos. Livre-se das cargas do passado, e estará pronto para seguir em frente com renovadas forças.

  • “Aos poucos, estou aprendendo a amar. Estou aprendendo a perdoar, pois o amor perdoa, lança fora as mágoas, e apaga as cicatrizes que a incompreensão e a insensibilidade gravaram no coração ferido.”  Malu Bozzani

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Stael Ferreira Pedrosa é escritora free-lancer, tradutora, desenhista e artesã, ama literatura clássica brasileira e filmes de ficção científica. É mãe de dois filhos que ela considera serem a sua vida.

Website: http://tedandoumaideia.blogspot.com.br/

Como aprender a amar depois de sofrer violência doméstica

Aprender a perdoar e voltar a amar após sofrer violência no lar, é possível e ajuda no processo de cura.
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