5 passos para lidar com uma criança que testemunhou violência doméstica

Violência é coisa de adulto, e como tais, temos o dever e a responsabilidade de proteger e ajudar as crianças que estão expostas a esse tipo de crime.

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  • Como se não bastasse a violência doméstica existir em muitos casamentos, muitos acontecem em frente às crianças, que testemunham, observam, e internalizam o que viram, consciente ou inconscientemente, trazendo problemas psicológicos mais tarde e impedindo a construção de relacionamentos saudáveis.

  • Como reconhecer as reações das crianças quando reagem à violência doméstica?

  • A curto prazo

  • As reações variam de criança para criança, algumas são mais afetadas que outras, e isso pode depender da idade, trauma anterior, temperamento, educação ou mesmo da proximidade da criança com o ato em si.

  • Reações típicas de crianças que testemunharam violência podem incluir:

    • Hiperatividade repentina. A criança pode estar nervosa, assustada, pulando, deixando coisas caírem, etc.

    • Transferência da experiência. Como ela tem aquela imagem da violência em sua mente, ela pode ter pesadelos, fazer o que viu com bonecas, brinquedos, etc.

    • Medo. A criança evita situações, pessoas, e tudo que a lembre do que testemunhou.

    • Choque. Ela pode parecer quieta, congelada, não querer conversar, esconder-se, fechar-se.

    • Hipersensibilidade. A criança pode reagir a locais, cheiros, gostos, sons, palavras, emoções e tudo o que a fizer lembrar de uma forma densa e dramática, além de repentina.

    • Medo de dormir. Ela pode ter medo de dormir porque está tendo pesadelos.

  • A longo prazo

    • Ansiedade e depressão. É menos comum, a não ser que ela continuamente testemunhe a violência.

    • Tornar-se um bully. É comprovado que 60% das crianças que praticam o bullying, testemunharam ou foram vítimas de violência doméstica, e tendem a repetir o que viram.

    • Uso de drogas. Bem como vícios de todo e qualquer tipo.

    • Comportamento autodestrutivo e suicida.

    • Impulsividade, como por exemplo, começar a vida sexual bem cedo ou gostar do perigo.

    • Problemas crônicos de saúde como asma, e outros psicossomáticos como gastrite, úlcera, dor de cabeça, fobias.

    • Baixa autoestima, necessidade de agradar e ter atenção, tornando-se muitas vezes vítima de mais violência doméstica.

    • Comportamento criminoso e violento, inclusive repetindo a violência doméstica.

    • Baixo desempenho acadêmico.

    • Autoflagelação, que pode levar a suicídio ou cortar-se, excesso de tatuagens e piercings.

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  • Como agir

    • As crianças são resilientes se receberem o tipo correto de ajuda e o suporte da família e comunidade é essencial. Para isso, é crucial que a criança seja cercada de pessoas que cuidem dela com amor, paciência, positividade, que lhes deem a segurança de que aquele tipo de acontecimento não se repetirá. Isso pode incluir pai ou mãe que não seja o agressor, um mentor, professor, ou mesmo uma outra pessoa.

    • As crianças, mesmo adolescentes, que aceitam o suporte, podem voltar a desenvolver-se intelectualmente e socialmente, além de evoluir os talentos e voltar a ter uma vida normal, embora sentimentos de tristeza, baixa autoestima e aceitação sejam difíceis de desaparecer.

    • Os pais, muitas vezes, por não saber o que dizer, não dizem nada e deixam para o tempo a responsabilidade de apagar as más memórias. Isso além de não ocorrer pode ser ainda pior, e mais tarde a criança pode vir a pensar e sentir que seus sentimentos não são importantes.

  • O que dizer

    1. Abrace-a. Pense antes de falar e seja claro que não é culpa da criança o fato de o agressor agir como agiu. É responsabilidade e escolha dele.

    2. Diga que ela não é responsável por esta situação nem por resolvê-la.

    3. Mostre que você se preocupa e ela é importante para você. Seja direto, pergunte sobre o que viu e sentiu, para que ela tenha chance de colocar para fora. Mostre que você realmente se importa.

    4. Esteja presente para ouvi-la, dizer o que pensa e como se sente. E ouça. Isso é sempre necessário, deixar a criança segura que você sempre estará lá para ela quando precisar.

    5. "Perdoe-me que você teve que ver ou ouvir isso. Violência não é correto nem é o modo como pessoas devem se relacionar". Esta é talvez a mais importante de todas, pois é necessário explicar a criança que isso não é o normal.

    6. A criança também precisa aprender a perdoar. O agressor tem problemas que precisa resolver com ajuda. Não há problema em amar a pessoa que comete a violência.

  • O que fazer

    • O principal é não brigar em frente às crianças. De nenhuma forma. Se já o fez, pare agora e faça metas de não repetir a situação. Se for uma situação que você não tem controle, é sua obrigação tomar uma atitude para retirar a criança do convívio do agressor.

    • A responsabilidade dos adultos, principalmente dos pais, é manter os filhos e crianças em segurança. Normalmente os serviços sociais, ao receberem denúncias ou não, acabam algumas vezes retirando crianças de famílias onde há violência doméstica e nem o agressor ou o agredido se importa com a segurança das crianças.

    • Mais importante sobre o que fazer é realmente fazer algo. Algo que ajude a manter a criança a salvo, longe da violência.

    • É importante ensinar as crianças a como se protegerem, como buscar ajuda, como ligar para a polícia.

    • Peça ajuda de familiares, amigos, igrejas, tutores, professores. O perigo de não cuidar de uma criança traumatizada pela violência deve ser maior que a vergonha de assumi-la. Peça ajuda aos serviços sociais que fornecem cartilhas, atendimento e até terapia se necessário.

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  • A vítima precisa se proteger e proteger as crianças que testemunharam a violência. A criança internaliza tudo o que vê, sente e ouve. “O ferido reconhece o ferido” (Nora Roberts). Se ela convive com isso, crescerá pensando que isso é como um relacionamento normal é, e agirá ou como o agressor, ou como a vítima.

  • Violência é um problema de adultos, e expor uma criança a ele é cometer um outro tipo de crime. E nosso dever e responsabilidade ajudar a formar adultos melhores, não apenas recipientes de nossos infortúnios.

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C. A. Ayres é mãe, esposa, escritora e fotógrafa, pós-graduada em Jornalismo, Psicologia/Psicanálise. Visite seu website.

Website: http://caayres.com/

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Violência é coisa de adulto, e como tais, temos o dever e a responsabilidade de proteger e ajudar as crianças que estão expostas a esse tipo de crime.
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