Você já jogou pião? E seus filhos, sabem o que é isso?

Leia e inspire-se a fazer com que seus filhos saiam da rotina dos videogames e descubram a alegria da infância com brinquedos antigos que precisam de habilidades e truques.

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  • Este artigo foi publicado primeiramente no blog do Montanha e republicado aqui com permissão do autor.

  • Esses dias nas minhas férias estava num evento familiar. As crianças e os adolescentes estavam simplesmente isolados num canto da casa e o motivo era o "famoso" X-Box. A briga era para quem jogava e qual seria a sequência.

  • Os mais velhos, como sempre, querendo fazer os mais novos esperarem mais, a cada hora mudando a regra dos acontecimentos.

  • Como eu sabia que as crianças estavam lá, levei algumas coisas com que eu brincava na minha infância e deixei no carro.

  • Após o almoço, a aglomeração ao redor do videogame era maior. Então fui ao carro e escolhi o "pião", dei uma olhada se a fieira estava em condições em função do tempo parado e levei para a aglomeração.

  • Chegando lá, chamei os mais novos, de 5 a 6 anos, e perguntei:

    • Vocês sabem o que é isso?
  • Olharam ansiosos sem saber o que era. Nisso meu irmão mais velho disse:

    • Nossa! Há quanto tempo não via um desse.

    • O que é isso? - questionou o Diego das crianças ansiosas.

    • Pois bem, isso é um "Pião" e essa pequena cordinha, é a fieira.

    • Pião? - questionou minha filha Gaby dando risada ao estranhar o nome.

    • Já que estão interessados, vocês sabem o que isso faz?

  • Com cara de espanto, um olhava para o outro a fim de saber o que era aquele pedaço de pau, roliço, com uma ponta de prego e uma cordinha de 1,5 metros. Depois de tanto hesitarem, um deles pediu para pegar na mão. E começou a analisar aquele objeto outrora estranho. E assim as demais crianças ficaram olhando, e ia passando o pião de mão em mão. Nessa hora já não tinha apenas as crianças ao redor. O Alexandre, um dos adolescentes, rabujento por eu ter tirado a sua plateia no X-Box, resmungou:

    • Isso é um brinquedo do tempo do "zaguaio", ainda bem que os tempos mudaram. Nossa geração é uma geração que está pronta para superar mais limites e por isso não brincamos com essas coisas tolas!

    • Não eram brinquedos tolos, eram brinquedos acessíveis àquela época! - Entrou o Rodrigo, um adulto, na conversa.

  • Vi que a discussão iria tirar o foco daquele momento de descoberta para os mais novos e então resolvi findá-la com uma breve explicação ao adolescente:

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    • Crianças, isso sim é um brinquedo, como ele disse! É dos tempos do "zaguaio", sim também! Mas não é uma coisa tola. Afinal vocês acham que brincar é uma coisa tola?

    • Não! Não! Não! Não! - As crianças responderam com firmeza e ainda sorriam para Alexandre que resmungou sobre o brinquedo e se encolheu no canto.

    • Isso daqui - peguei o pião da mão das crianças - não serve apenas para brincar. Isso serve para aprender, isso serve para se concentrar, isso serve para ter foco e serve para se divertir muito. Quando vocês tiverem a idade do Alexandre - continuei olhando para ele -, vocês terão muito mais conhecimento, por exemplo, em física. Irão entender um pouco sobre energia cinética, energia estática, inércia, força, equilíbrio de sistema e ainda que tal um pouco de aerodinâmica? - Alexandre era péssimo em Física.

    • Nossa tio, eu aprendo tudo isso com esse brinquedo? Deve ser muito caro, né? - Me questionou o pequeno Vinícius.

    • É sim muito caro, Vi, custa uns 10 reais. E se não achar lugar que venda acho que dá até pra fazer um.

    • E como se brinca com ele?

    • Vou tentar, pois já fui bom nisso...

  • Pedi um espaço para as crianças e expliquei que era ser seguro e comecei a enrolar a fieira no pião. Quando criança, eu enrolava de duas formas diferentes, mas não lebrava em qual eu era melhor. E também havia me esquecido se eu lançava o pião normalmente ou de ponta-cabeça. Na primeira tentativa, já com todos na minha plateia, eu dei uma volta na cabeça do pião e deixei apenas 10 cm para que eu puxasse. Lancei o pião na posição normal e então ele caiu no chão de cabeça pra baixo e ficou girando por interminável quase 1 minuto.

  • Alguns adultos riram, mas minha mãe ponderou:

    • Pelo tempo que você não joga, até que ele girou!
  • Não hesitei, peguei o pião novamente e enrolei-o de maneira diferente, da segunda maneira a fieira para por cima da cabeça, como se o pião não tivesse cabeça, e sobra menos fieira para lançar. Então eu resolvi dar 2 voltas a menos no pião para dar segurança. E vamos lá para a segunda tentativa. E lanço o pião de ponta cabeça.

  • Ao cair no chão ele deu uma leve quicada com sua ponta e na segunda quicada ele ficou girando. Como com a ponta gera menos atrito, foram intermináveis 2 minutos girando de pé. Rolou até alguns aplausos. Mas o que fez eu ganhar o dia foi o olhar daquelas crianças vidradas olhando o pião rodopiar. Ao terminar de girar e cair ao chão, as crianças já pediam para eu ensinar como que fazia aquilo.

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  • Disse que iria explicar, mas ainda tinha que lançar uma vez para mostrar algo legal pra eles. Enquanto preparava o pião para mais uma tentativa, disse para todos que acompanhavam.

    • Já fui bom nisso, vou tentar fazer, pode ser que não dê certo!
  • Ao dizer isso, prendi a atenção de todos. Enrolei o pião como a segunda vez e lancei-o ao chão com um pouco mais de força, para que ele rodopiasse mais rápido e por mais tempo. E foi assim que aconteceu. Ao começar a girar no chão, passei a fieira ao seu redor, lacei ele e puxei o pião ao alto. Mais ou menos na altura da cabeça. Soltei a fieira e aparei o pião na minha mão. E fiz ele terminar de girar na minha mão, mostrando para todas as crianças...

  • Aquela tarde, o tema, as aulas, as tentativas, e a diversão ficaram garantidas com aquele pião.

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