Não se engane: Como o álcool está afetando sua paternidade e ferindo suas crianças

Estudos mostram que pais alcoólatras causam depressão, sentimentos de inferioridade e vergonha em seus filhos.

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  • Em 2007, o Ministério da Justiça do Brasil publicou um artigo científico sobre o alcoolismo e seus efeitos na família, especialmente nos filhos. Os dados são alarmantes.

  • Segundo o artigo, cerca de 84% da população faz uso ocasional de álcool e 3 a 15% são dependentes, e aponta que uma em cada quatro crianças menores de 18 anos é exposta ao uso do álcool no ambiente familiar. O artigo mostra pesquisas que trazem o seguinte resultado:

  • "Associado a componentes biológicos, psicológicos e sociais, a influência parental (pais, cuidadores, responsáveis) corrobora para o desenvolvimento do abuso e dependência de álcool."

  • Além de o alcoolismo estar na categoria de problema de saúde pública no Brasil, os efeitos dele na família e sociedade como a violência física e sexual também se enquadraram nessa categoria.

  • O papel dos pais

  • O papel dos pais é de ser o vínculo afetivo e centro de poder geracional. São mais velhos, são os provedores e o referencial infantil do ser humano adulto. Atualmente as funções familiares foram alteradas na maneira de gerir a família, seja econômica ou socialmente. O pai, antes provedor único tornou-se coprovedor. A mãe se ausenta do lar na busca da ajuda financeira ou realização profissional. Somam-se a esses fatores, a incidência de depressão, dificuldades sócio-econômicas, monoparentalidade e desvinculamento familiar de valores considerados antiquados como ética e religião.

  • Mesmo que essas alterações estejam presentes no ambiente familiar atual, o pai ainda é importante na formação da identidade de gênero dos filhos.

  • A mudança funcional do pai no lar devido à nova posição da mulher e nova visão da ética familiar torna necessária uma adaptação paterna em suas perspectivas. Sejam quais forem as adaptações necessárias, é consenso entre psicólogos, sociólogos e estudiosos da sociedade em geral que o comportamento ético e o cuidado devem nortear a educação e convivência com os filhos.

  • O efeito do álcool na parentalidade

  • Considerada uma doença crônica o alcoolismo tem raízes genéticas, psicológicas, sociais e afeta cerca de 10% da população acima de 12 anos no Brasil. Segundo o "V Levantamento nacional sobre o consumo de drogas psicotrópicas entre estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública de ensino nas 27 capitais brasileiras" – este é um problema social grave e que traz um dado importante e pouco divulgado: o álcool foi o responsável por 90% das internações hospitalares por dependência de drogas.

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  • Segundo os estudiosos Mayes, & Truman, "a parentalidade, exercida em conjunto com o consumo de substâncias, é percebida, normalmente, como frágil e incompatível na sua execução, bem como nefasta e disfuncional na sua influência, afetando também as mais variadas funções sociais".

  • Em um estudo comparativo entre pais alcoólatras e não alcoólatras constatou-se que:

  • Os pais alcoólatras

    • Recorrem mais aos castigos abusivos sejam físicos ou psicológicos

    • São mais punitivos na sua atuação disciplinar

    • Apresentam mais expectativas inapropriadas

    • Estão mais sujeitos à inversão de papéis entre pais e filhos

    • Oprimem a autonomia das crianças

    • São geradores de conflitos e ou destruidores da organização familiar

  • Ser filho de alcoólatras traz ainda outro risco – desenvolver problemas com o uso dessa substância.

  • Os filhos de alcoólatras

  • Segundo Danilo Baltieri, mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, "filhos de alcoolistas têm risco de 4 a 10 vezes maior para manifestarem problemas com o uso de bebidas, quando comparados a jovens sem antecedentes familiares de problemas com o consumo de álcool".

  • As crianças se sentem:

    • Física e emocionalmente desamparadas e expostas à violência em todas as suas formas

    • Têm uma visão do mundo como ameaçador e hostil

    • Inseguras e medrosas

    • Abusadas físicas e psicologicamente

    • Negligenciadas ou colocadas em último plano

    • Sem vínculo afetivo e familiar

  • Embora não seja assim em todos os lares e nem com todas as crianças que convivem com o alcoolismo é fato e consenso entre os estudiosos que o uso de substâncias aditivas afeta a paternidade e o comportamento infanto-juvenil em maior ou menor grau. A maior diferença entre os pais viciados e os não viciados segundo Colten "é na forma como reagem ao comportamento inadequado da criança, nas estratégias disciplinares e possíveis punições: pais consumidores explodem frequentemente, usam mais o castigo físico e menos o diálogo, explicando raras vezes à criança o porquê de se ter comportado mal ou o que deve mudar para corrigir".

  • O lar é mais bem gerido e torna-se um ambiente seguro para os que nele vivem quando tal substância não está presente. Se você enfrenta esse problema, busque ajuda. É possível recuperar a paz na família e exercer uma parentalidade mais responsável.

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  • Como os filhos enxergam os pais que bebem

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Stael Ferreira Pedrosa é escritora free-lancer, tradutora, desenhista e artesã, ama literatura clássica brasileira e filmes de ficção científica. É mãe de dois filhos que ela considera serem a sua vida.

Website: http://tedandoumaideia.blogspot.com.br/

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