9 coisas que aprendi após a morte de meu pai

Meu pai faleceu repentinamente quando eu estava grávida de meu primeiro filho. Aqui estão 9 coisas que aprendi e como continuei minha vida após aquele dia triste.

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  • Meus pais se divorciaram quando eu tinha apenas 7 anos. O respeito entre eles após foi essencial para que eu crescesse sem maiores traumas. O tempo com cada um me ajudou a conhecer melhor e me aproximar de cada um de uma forma especial.

  • Assim como à minha mãe, eu era muito apegada ao meu pai. Filha única dos dois, pude acompanhar meu pai que era deficiente visual, sendo sua ajudante em tudo. Uma de minhas memórias favoritas é de termos criado uma tradição de irmos juntos à praia todos os anos. Passávamos o dia brincando na água pulando as ondas, que cresciam conforme a minha idade, e com a areia. Só eu e ele. Muitos dos talentos que tenho hoje foram plantados em mim por ele, e sua presença e ensinamentos sempre foram marcantes em minha vida. Eu sempre soube que meu pai não era perfeito, mas ele era presente conforme seu próprio jeito, e isso fez toda a diferença.

  • Naquele dia 24 de abril de 1996, eu estava trabalhando quando recebi a notícia de sua morte repentina devido a um infarto fulminante. Eu estava grávida protelando a surpresa, e havia perdido a chance de lhe contar sobre o que ele sempre quis, um neto. Minhas horas com ele naquele velório durante toda uma noite foram um monólogo interminável e lágrimas inacabáveis. Eu acredito na vida do espírito após a morte do corpo, mas a separação e o arrependimento de tudo o que sempre havíamos planejado fazer juntos e não tivemos tempo me consumia.

  • Não tenho palavras para descrever esta dor, mesmo apenas escrevendo sobre ela.

  • Eu sofri e ainda sofro, mesmo após todos esses anos. Com o passar do tempo, porém, aprendi algumas coisas que me ajudaram a não entrar em depressão e a continuar, as quais me apego todos os dias, e que talvez possam ajudar mais alguém.

  • 1. Eu aprendi que o mundo não irá parar por minha causa

  • A saudade de alguém que amamos e que parte desta vida é uma saudade que nunca se esvai. Também não é possível voltar no tempo e reviver o passado. Nós vivemos apenas uma vez, o mundo continuará a girar, mesmo que o nosso pareça ter parado por algum tempo. A única forma de sobrepujar uma perda é continuar seguindo em frente.

  • 2. Eu aprendi que os meus problemas não serão prioridade para as pessoas a minha volta

  • Quando estamos passando por um momento difícil, mesmo uma tragédia, pode parecer surreal quando as outras pessoas não entendem o nosso comportamento ou mesmo compreendam algo pelo qual elas não estão passando. Por esse motivo, a maioria das pessoas também continuará a seguir em frente com sua vida mais rapidamente do que nós, quando em meio a um problema ou perda. O que elas podem nos dar é simpatia, e não há problema se levarmos mais tempo para vencermos nosso próprio relógio. O importante é ter em mente que mais cedo ou mais tarde, precisaremos fazê-lo.

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  • 3. Eu aprendi que o amor não tem fronteiras

  • Eu tinha um certo receio de que quando me mudasse para longe, a distância machucaria minha relação com as pessoas que eu amava. Normalmente estamos preocupados que a falta de comunicação num relacionamento fará o amor esfriar e a distância crescer. O mesmo com a distância que temos certeza que só crescerá com o tempo. Mas eu aprendi a duras penas que a distância aumenta o amor incondicional que nunca se perderá na memória, tempo ou espaço, e esfria somente as relações forçadas e superficiais.

  • 4. Eu aprendi que as pessoas não podem ser substituídas, mas ainda podemos encontrar paz

  • Por mais que tenhamos um novo amor, este não substitui o anterior que perdemos. Seja um pai, um marido, um filho. Também é perda de tempo tentar justificar a morte senão viveremos num círculo interminável de incompreensão, revolta, choro e tristeza. Pode levar uma vida inteira para nos recuperarmos de uma perda, mas é minha responsabilidade acreditar no ciclo da vida como um passo necessário para o crescimento, para minha autopreservação e paz interior.

  • 5. Eu aprendi que há força em serviço

  • Após o enterro de meu pai, eu tinha que continuar minha vida. Logo teria um bebê para sustentar e contas a pagar. Em seguida, também recebi uma incumbência em minha comunidade de servir algumas famílias que estavam sofrendo e vi que tinha algumas escolhas. Eu poderia passar anos remoendo o sofrimento e me perguntando por que a punição da perda ou poderia levantar minha cabeça e olhar a minha volta e ver que não sou a única. Há tantas pessoas passando por tristezas e desespero, e se direcionarmos nossos pensamentos e serviço a elas, reavaliaremos nossa vida e encontraremos uma nova perspectiva na reconciliação com nosso próprio eu.

  • 6. Eu aprendi a ser grata por tudo o que ainda tenho

  • Eu acredito sinceramente que as pessoas mais felizes aprenderam a focar naquilo que têm ao invés do que não têm. Apreciar aqueles que ainda estão a nossa volta nos fará descobrir um novo jeito de ver a vida e reaprender a sorrir.

  • 7. Eu aprendi que ainda tenho o controle de minha própria vida

  • Buscar o autocontrole é uma tarefa para a vida toda. Aprender a controlar nossas emoções, ações e reações, é importante em todas as áreas de nossa vida. É óbvio que não podemos mudar tudo o que queremos em nossa vida, mas podemos mudar a nós próprios em relação a como reagimos e nos comportamos em momentos desafiadores, escolhendo qual direção seguir.

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  • 8. Eu aprendi que adversidade não é desculpa para desistir

  • O sofrimento nos purifica. Aprendemos a purificar nossos pensamentos e observar as coisas que são realmente importantes mediante alguma adversidade. Aprendemos a redirecionar nossos sonhos, metas e nossa motivação. Podemos sobrepujar os desafios, mesmo em meio à saudade das pessoas que amamos, mas lembrando que ainda temos nossa própria vida, e é nossa responsabilidade viver e sermos felizes.

  • 9. Eu aprendi que nunca existirá um verdadeiro adeus, apenas "Vejo você em breve"

  • Eu sei que um dia verei meu pai novamente. Sei também que, na verdade, ele nunca se foi. Quantas vezes, eu e meu filho conversamos e pudemos sentir sua presença. Mesmo se minha memória um dia falhar e as lembranças parecerem tão distantes para uma mente anciã, ele ainda estará lá. É assim com todas as pessoas que se foram. É apenas temporariamente. Apenas um "até logo".

  • Eu ainda amo o mar. Quando tenho o privilégio de sentir a água me lambendo, passo horas de olhos fechados sentindo a brisa e relembrando nossas conversas e risadas. Eu aprendi que posso viver minha vida com foco em seus ensinamentos positivos e criando novas memórias felizes e, um dia, quando o reencontrar, possa dizer que realmente vivi, e que foi e é um privilégio tê-lo em minha vida.

  • Leia também: Antes de falar com os filhos sobre a morte - 6 coisas a saber

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C. A. Ayres é mãe, esposa, escritora e fotógrafa, pós-graduada em Jornalismo, Psicologia/Psicanálise. Visite seu website.

Website: http://caayres.com/

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Meu pai faleceu repentinamente quando eu estava grávida de meu primeiro filho. Aqui estão 9 coisas que aprendi e como continuei minha vida após aquele dia triste.
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