A depressão da mãe pode prejudicar o bebê ainda no ventre

Muitas mães se perguntam o que é pior para o feto, medicamentos antidepressivos ou uma depressão não tratada? Veja o que dizem os especialistas.

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  • Estudos internacionais sobre depressão gestacional mostram que entre 7 e 15 por cento das mulheres grávidas sofrem de depressão. O psiquiatra Joel Rennó Júnior disse ao Delas iG, "É sabido que as depressões que acontecem na gravidez, quando não tratadas, evoluem para as depressões pós-parto".

  • O que causa?

  • Não há uma única causa para a depressão gestacional. A doença resulta de uma combinação de alguns fatores:

    • O histórico familiar. Mulheres cujas famílias têm histórico de depressão são mais propensas a desenvolver a doença.

    • Acredita-se que as alterações químicas ou estruturais no cérebro podem desempenhar um papel importante.

    • Acontecimentos estressantes, como morte de um ente querido, abortos anteriores, dificuldades para engravidar, problemas financeiros, violência doméstica, gravidez indesejada, falta de apoio do pai da criança e da família, entre outros, podem desencadear a depressão, segundo vários estudos.

    • Alterações hormonais.

    • Ter tido a doença anteriormente.

    • Há, também, alguns gatilhos físicos, como diabetes e doenças na tireoide, segundo este site.

  • O que é pior para o feto, medicamentos antidepressivos ou uma depressão não tratada?

  • As mulheres que já tinham depressão antes de engravidar e estão em tratamento, logo que descobrem a gravidez, muitas vezes abandonam o tratamento por medo de que a medicação prejudique o bebê. Outras, desconfiam que estão com depressão durante a gravidez, mas não procuram um profissional para obter um diagnóstico pelo mesmo motivo, ou pelo medo do impacto da notícia sobre a sua vida e a de sua família, ou, ainda, pelos estigmas relacionados à depressão.

  • A psiquiatra, Maria Muzik, publicou um artigo no site Baby Center em que faz vários esclarecimentos sobre o tema. Ela diz que depois de coletarem dados de mais de 30 anos sobre os efeitos dos antidepressivos sobre os fetos, e de cerca de 290 estudos publicados sobre o impacto da depressão gestacional não tratada sobre o feto e a criança, "os especialistas em psiquiatria perinatal sentem-se bastante confiantes para fazer recomendações."

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  • Ela diz que, de fato, há efeitos colaterais dos antidepressivos para o bebê, como sofrimento neonatal e problemas de sono, por exemplo. Mas a doença em si, quando não tratada, também traz riscos para o feto, e às vezes maiores, assim como para a mãe.

  • Quais as consequências de não fazer o tratamento?

  • A doutora Musik esclarece que é perigoso interromper o tratamento contra a depressão durante a gestação porque, estando depressiva, a mulher apresenta vários comportamentos prejudiciais para o feto, como alimentação desregrada, tabagismo, tendência a não fazer o pré-natal corretamente, e, em casos extremos, tentativa contra a própria, entre outros. Além disso, "as mulheres grávidas deprimidas apresentam níveis mais elevados de hormônio do estresse pré-natal (cortisol) em comparação com mulheres saudáveis", afirma, o que também é um risco para o bebê.

  • As grávidas deprimidas também têm bebês menores e um crescimento fetal mais lento. São mais propensas a ter parto prematuro e bebês com baixo peso ao nascer.

  • Ela diz, também, que "os recém-nascidos de mães deprimidas apresentam, eles mesmos, níveis de hormônio do estresse significativamente maiores, em comparação aos nascidos de mães saudáveis, o que os torna mais estressados, com temperamento difícil e mais difíceis de cuidar e acalmar."

  • A longo prazo, "há algumas evidências de que as crianças expostas à depressão materna na gravidez enfrentam mais problemas sociais e emocionais quando pequenas, como agressividade e outros problemas de conduta", disse a médica. É possível, inclusive, que isso afete o QI e a linguagem da criança.

  • Em alguns momentos, os riscos de tomar antidepressivo podem parecer bem similares ao da depressão não tratada. Mas, em caso de depressão grave, a mulher pode querer tirar a própria vida, o que acabaria superando qualquer risco causado pelos antidepressivos, lembrou a doutora.

  • Outras opiniões

  • Segundo artigo da BBC, Stephen Pilling, do National Institute for Health and Care Escellence, defende que quando a paciente tem depressão leve ou moderada, o ideal é interromper o tratamento durante a gravidez, porque os "Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (SSRIs, na sigla em inglês) podem dobrar os riscos de que bebês nasçam com malformações no coração". Até então a advertência era apenas contra a paroxetina. Essa é a nova orientação para os médicos britânicos, desde 2013.

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  • De acordo com este artigo, o dr. Rennó diz que, em casos de depressão leve e moderada, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia Interpessoal (TIP) costumam apresentar resultados similares aos dos medicamentos.

  • Interromper o tratamento não significa simplesmente parar de tomar os medicamentos, mas agir sob orientação médica. O profissional que sugerir esse caminho certamente indicará tratamentos alternativos. Ficar sem tratamento nenhum irá causar todos aqueles prejuízos listados acima.

  • Aconselhe-se com seu médico

  • Em caso de gravidez durante o tratamento contra a depressão, ou suspeita de depressão durante a gravidez, busque imediatamente orientação médica. Depois de estudar o seu caso, o psiquiatra poderá dizer qual é a melhor alternativa para preservar, da melhor forma possível, a sua saúde e a do bebê. Se julgar necessário, busque uma segunda opinião.

  • Lembre-se de conversar com ele sobre tratamentos alternativos, como acupuntura, yoga, meditação, reposição de vitaminas ou hipnose, além das terapias citadas acima.

  • Atenção para os sinais de depressão (os sintomas podem variar de uma pessoa para outra)

    • Distúrbios do sono (dormir demais ou ter insônia)

    • Distúrbios do apetite (falta de apetite ou comer compulsivamente)

    • Tristeza profunda e frequente, sem uma razão especial

    • Ansiedade exagerada

    • Irritabilidade frequente

    • Baixa autoestima

    • Desgosto pela vida, desânimo

    • Sensação de incompetência

    • Cansaço frequente

  • Lembrando que a gravidez por si só pode provocar algumas mudanças, como aumentar a emotividade, alterações no apetite e no sono. Então, outros fatores precisam estar presentes para que um diagnóstico de depressão seja confirmado, o que pode ser feito apenas por um profissional competente.

  • Vejam algumas dicas para melhorar seu quadro de depressão

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Erika Strassburger mora no Rio Grande do Sul, tem bacharelado em Administração de Empresas, escreve e traduz artigos para o site Família, é cristã SUD, pintora amadora de telas a óleo e mãe de três lindos guris, o mais velho com Síndrome de Down.

Website: http://erikastrassburger.blogspot.com.br/

A depressão da mãe pode prejudicar o bebê ainda no ventre

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