Vício em videogame pela primeira vez é classificado como distúrbio mental pela Organização Mundial de Saúde

Você conhece alguém viciado em videogame?

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  • Uma notícia veio sacudir os pais - principalmente de adolescentes do sexo masculino - que são os mais afetados. O vício em videogames passou a ser considerado como distúrbio mental pela Organização Mundial de Saúde.

  • E não é para menos. Embora seja a primeira vez que a CID (Classificação Internacional de Doenças) apresente uma adição em videogames como distúrbio mental, muitas pessoas já vêm enfrentando este problema há algum tempo. Inclusive alguns países como o Reino Unido já haviam identificado a doença como problema de saúde pública e equipado clínicas especializadas para tratar o distúrbio.

  • Alguns países usam medidas mais sérias, como a censura, de acordo com a idade e costumam limitar o tempo que as crianças e adolescentes podem jogar. Na Coreia do Sul, o governo criou uma lei para proibir o uso de games por pessoas menores de 18 anos entre meia-noite e seis da manhã. No Japão, os jogadores sofrem advertência após certo número de horas mensais. Na China, existe um limite de quantidade de horas que uma criança pode jogar.

  • Em sua 11ª edição deste ano, a CID incluirá o distúrbio mental sob o nome de "distúrbio de games", cuja descrição provisoriamente será de um padrão de comportamento frequente ou persistente de vício em games, vinculadas a três condições negativas provocadas pelo mau uso dos jogos digitais tais como incapacidade de controlar a frequência, intensidade, duração, finalização e contexto em que se joga. Prioridade dos jogos sobre outros interesses vitais e atividades diárias. E persistência ou aumento da frequência dos jogos "apesar da ocorrência de consequências negativas.

  • Embora seja um passo importante para o combate e prevenção, o diagnóstico pode levar mais de 1 ano para ser feito, isso porque o paciente deve ser observado por um período superior a 12 meses, o que poderá ser diminuído caso os sintomas sejam muito graves a ponto de causar danos ao paciente ou a terceiros.

  • Os estudiosos, o que dizem?

  • Segundo Richard Graham, especialista em vícios do Hospital Nightingale em Londres, são muitos os casos de vício em videogame surgindo a cada ano e esta, sem dúvida, é uma ótima iniciativa que leva a sério o problema e que acabará por gerar maiores recursos para o tratamento dos doentes. No entanto, ele alerta, que há que se ter cuidado para não classificar qualquer entusiasmo por games como vício em videogame. Os critérios para tal diagnóstico são: se a frequência de jogos está dominando o estado neurológico, o pensamento e as preocupações e se o jogo está afetando atividades básicas, como comer, dormir, socializar ou ir à escola. Caso afirmativo, pode ser vício em videogame.

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  • Houveram severas críticas, no início de 2017, devido à intenção da OMS de incluir os jogos digitais como possível origem de transtornos mentais, por parte de um grupo de especialistas de vários países que criticaram seriamente a ideia. Segundo eles, não existe consenso e nem pesquisas suficientes em relação aos sintomas que caracterizariam o vício. Para esse grupo de estudiosos, "as preocupações sobre os comportamentos de jogos problemáticos merecem toda nossa atenção, mas não está nada claro que esses problemas possam ou deveriam ser atribuídos a um novo transtorno". Acrescentaram também que tal ideia poderia causar pânico moral já que "tem repercussões negativas em matéria médica, científica, de saúde pública e social" devido à possibilidade de um diagnóstico prematuro e ou equivocado causando falsos positivos com consequências para crianças e adolescentes".

  • Tais estudiosos não apenas debatem sobre tal classificação, mas pedem sua total eliminação, segundo eles, para evitar o desperdício de recursos de saúde pública e danos aos jogadores de game saudáveis de todo o mundo".

  • O que é corroborado por um estudo recente da Universidade de Oxford. Segundo o pesquisador Killian Mullan, nem todo exagero pode ser considerado vício.

  • "Nossas descobertas mostram que a tecnologia tem sido usada em alguns casos para apoiar outras atividades, como tarefas de casa, por exemplo, e não excluindo essas atividades das vidas das crianças". Killian ainda acrescenta que as crianças usam a tecnologia durante o dia, mas que também fazem outras coisas, exatamente como os adultos, concluiu.

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Stael Ferreira Pedrosa é escritora free-lancer, tradutora, desenhista e artesã, ama literatura clássica brasileira e filmes de ficção científica. É mãe de dois filhos que ela considera serem a sua vida.

Website: http://tedandoumaideia.blogspot.com.br/

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